Adormeço presente de sentimentos.
O sonho desenrola-se.
Soltam-se lágrimas, sorrisos, afagos transcendentais de outros tempos, de outras vidas. De rostos que agora são estes e outrora já foram tantos outros que nem nos conseguimos lembrar. Apenas os olhos e os sorrisos se mantêm, de vida para vida, de encontro em encontro, de sonho em sonho.
Já passámos por tanto.
E no entanto sempre voltamos aqui.
Tocamos as mãos. Sentimos os rostos. Abrimos os peitos.
Sorrimos com a esperança de acertar o passo, não vá mais andar um só coração descompassado.
Eu dou tudo de mim...
Entrego-me sem possuir novas palavras que não soem a lirismo desmedido.
Tudo o que de melhor tenho para dar é o que sinto e faço... já nada do que digo pode ter valor. Já nada desfaço.
E dou tudo de mim... mais uma vez.
Sonho.
Depois chega o dia.
Silêncio.
Ele chega e instala-se começando a corroer as pontas dos meus dedos nervosos. Os tremores que adivinham o futuro infelizmente sempre certo, incapaz de surpreender como um ciclo viciado.
Vai subindo por todo o corpo instalando-se por uns dias.
Chega para ficar e a dor que já não sei sentir instala-se...mais uma vez.
Na dormência da dor, percebo que é hora de partir e eu saio sem nada dizer. Sem nada esperar ouvir. Como se o desvario do silêncio, o diálogo pensado na ausência de som tudo dissesse.
É hora de ir embora, mais uma vez ser dispensado, qual objecto sem cor e valor, qual coração dilacerado, qual imagem de sentimentos ressentidos.
Abriu-se a porta... rua!
Silencio a dor que por mim escorre e não emito um som. Não faço barulho.
Oiço apenas os ecos sombrios e aterradores dos meus pensamentos.
São fantasmas que todas as vezes esqueço já ter conhecido vezes sem fim.
Fantasmas que me matam, corroem, destroem.
Pergunto-me a mim mesmo quem sou...o que sobrou de mim?
Um resto...quase nada.
E saio mais uma vez.
Apenas uma estátua viva a atravessar a porta.
Outra vez?
Obrigado...
...
Outra vez?
Obrigado... Mas não!